Dra. Clarisse Mourão Melo Ponte Endocrinologia e Metabologia
CRMEC 8692 | RQE 3766

Atividade Física no Pré-diabetes e no Diabetes Tipo 2
A atividade física é parte central do tratamento metabólico no pré-diabetes e no diabetes tipo 2. Quando orientada de forma estruturada e individualizada, promove melhora do controle glicêmico, redução do risco cardiovascular e benefícios sobre composição corporal e qualidade de vida.
Quanto e como se exercitar?
Para pessoas com pré-diabetes, recomenda-se pelo menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica de intensidade moderada, associados a metas de redução e manutenção de peso quando indicadas.
Para pessoas com diabetes tipo 2, a estratégia ideal envolve a combinação de exercícios aeróbicos e resistidos:
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Aeróbicos: mínimo de 150 minutos por semana, de intensidade moderada (ou equivalente de maior intensidade), evitando permanecer mais de dois dias consecutivos sem atividade.
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Resistidos: 2 a 3 sessões por semana, em dias não consecutivos, envolvendo ao menos 5 exercícios com 10 a 15 repetições cada.
A combinação dessas modalidades está associada a maior redução da hemoglobina glicada (HbA1c) em comparação com modalidades isoladas.
Redução do comportamento sedentário
Além do exercício estruturado, recomenda-se reduzir o tempo prolongado sentado, interrompendo-o a cada 30 minutos com movimentos leves, medida associada à melhora do controle glicêmico e redução de risco cardiovascular.
Quando é necessária avaliação cardiológica antes de iniciar exercícios?
A solicitação de exames cardiológicos não é recomendada de forma rotineira para todos os pacientes com diabetes que desejam iniciar atividade física .
A avaliação cardiológica está indicada principalmente quando:
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Há sintomas sugestivos de doença cardiovascular, mesmo que atípicos (dor torácica, dispneia aos esforços, tontura, síncope);
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O paciente apresenta alto ou muito alto risco cardiovascular;
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Existe doença cardiovascular conhecida;
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Há intenção de iniciar atividade de alta intensidade;
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Estão presentes múltiplos fatores de risco associados.
Nesses casos, pode ser necessário realizar avaliação adicional, como eletrocardiograma de repouso e, conforme o cenário clínico, testes funcionais específicos .
A decisão deve ser individualizada, considerando risco, intensidade pretendida do exercício e histórico clínico.
Exercícios de equilíbrio e flexibilidade
Em especial para pessoas idosas, exercícios de equilíbrio e flexibilidade (como pilates) podem reduzir risco de quedas e trazer benefícios adicionais ao controle metabólico.
Mensagem final
Atividade física é intervenção terapêutica com dose, frequência, intensidade e objetivos definidos. A individualização, a avaliação de risco adequada e o acompanhamento estruturado são fundamentais para segurança e resultados sustentáveis no longo prazo.

O Guia de Atividade Física para a População Brasileira orienta práticas seguras e baseadas em evidências para diferentes fases da vida. Elaborado com ampla revisão científica e participação de especialistas e da sociedade, reforça que a atividade física é essencial para a saúde, prevenção de doenças e qualidade de vida.
O documento adapta recomendações globais à realidade brasileira, considerando contextos sociais e culturais. Além de quantificar níveis ideais de atividade, o guia aborda barreiras, facilitadores e estratégias práticas para incorporar movimento no dia a dia, promovendo uma abordagem acessível e sustentável para toda a população.