Dra. Clarisse Mourão Melo Ponte Endocrinologia e Metabologia
CRMEC 8692 | RQE 3766
Osteoporose pós-menopausa: diagnóstico, avaliação de risco e tratamento
A osteoporose é uma doença caracterizada pela redução da massa óssea e deterioração da microarquitetura do tecido ósseo, resultando em aumento da fragilidade e maior risco de fraturas, especialmente em coluna, quadril e rádio distal.
Trata-se de uma condição silenciosa, frequentemente diagnosticada apenas após a ocorrência da primeira fratura, evento que está associado a aumento significativo de morbidade, perda de autonomia e até mortalidade.
🔎 Como é feito o diagnóstico
Segundo as Diretrizes brasileiras para o diagnóstico e tratamento da osteoporose em mulheres na pós-menopausa, o diagnóstico da osteoporose não deve se basear exclusivamente na densitometria óssea.
Embora o T-score ≤ -2,5 seja um critério diagnóstico importante, a diretriz brasileira enfatiza que a avaliação deve incluir:
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história clínica detalhada
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identificação de fatores de risco
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investigação de causas secundárias
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análise do risco global de fratura
Além disso, a presença de fratura por fragilidade prévia já é, por si só, um marcador de alto risco e pode indicar necessidade de tratamento, independentemente da densidade mineral óssea.
⚖️ Avaliação de risco: além da densitometria
A abordagem moderna da osteoporose prioriza o risco absoluto de fratura.
Ferramentas como o FRAX Brasil permitem estimar a probabilidade de fraturas em 10 anos, considerando fatores como:
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idade
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índice de massa corporal
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histórico de fraturas
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uso de glicocorticoides
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tabagismo
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doenças associadas
Essa estratégia aumenta a precisão na identificação de pacientes que realmente se beneficiam de tratamento.
💊 Quando tratar
O tratamento farmacológico é indicado principalmente para:
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pacientes com fratura por fragilidade
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T-score ≤ -2,5
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alto risco de fratura pelo FRAX
A decisão deve ser individualizada, considerando risco-benefício e contexto clínico.
🧠 Tratamento não farmacológico da osteoporose
A base do tratamento inclui:
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atividade física regular (especialmente exercícios de força e equilíbrio)
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ingestão adequada de cálcio (preferencialmente pela dieta)
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reposição de vitamina D quando necessária
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prevenção de quedas
Essas medidas impactam diretamente na redução de risco de fraturas e melhora da qualidade de vida.
💊 Tratamento farmacológico
As principais opções incluem:
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Bisfosfonatos (primeira linha)
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Denosumabe
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Raloxifeno
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Teriparatida
Esses medicamentos atuam reduzindo a reabsorção óssea ou estimulando a formação óssea, com evidência consistente de redução do risco de fraturas vertebrais e, em alguns casos, de quadril .
⚠️ Pontos críticos da diretriz
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A osteoporose deve ser tratada com foco em prevenção de fraturas, não apenas melhora de exames
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A densitometria isolada não define conduta
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O risco clínico deve sempre orientar a decisão terapêutica
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O tratamento deve ser reavaliado periodicamente
🧭 Conclusão
A osteoporose é uma condição comum, potencialmente grave e frequentemente subdiagnosticada. Seu manejo exige uma abordagem integrada, baseada na avaliação do risco de fratura e na individualização do tratamento.
Mais do que tratar números, o objetivo central é reduzir eventos clínicos relevantes — especialmente fraturas — e preservar funcionalidade e qualidade de vida.
Referência:
Radominski SC, Bernardo W, Paula AP, Albergaria BH, Moreira C, Fernandes CE, et al.
Diretrizes brasileiras para o diagnóstico e tratamento da osteoporose em mulheres na pós-menopausa.
Rev Bras Reumatol. 2017;57(Suppl 2):S452–S466.